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Ansiedade na infância

Atualizado: 29 de jan. de 2025

Assim como os adultos, as crianças também têm experiencias emocionais complexas. Elas sentem felicidade, raiva, animação, culpa, nojo, tristeza, se frustram, se angustiam e se sentem ansiosas. Nem sempre as crianças reconhecem, sabem nomear, expressar ou mesmo lidar com essas experiencias e cabe às pessoas adultas auxiliarem-nas a compreender e manejar essas emoções e sentimentos.



De acordo com Stallard (2010, p. 11) “a ansiedade é uma resposta normativa concebida para facilitar a autoproteção”. Isso quer dizer que ela é uma resposta que todas as pessoas apresentam frente a uma ameaça ou a um sentido geral de perigo. É como se estivéssemos com uma sensação de medo, que não necessariamente tem o porquê de existir. Nosso corpo se prepara para uma ação como luta ou fuga (então experienciamos agitação, taquicardia, sudorese, tensão muscular), mas não sabemos contra quem vamos lutar, ou do que vamos fugir. É algo que faz parte da experiencia de todos os seres humanos, mas ela pode ser excessiva e difícil de manejar (Stallard, 2010).


A ansiedade envolve componentes cognitivos, fisiológicos e comportamentais. Os sintomas fisiológicos da ansiedade podem incluir: suor nas mãos, nervosismo, dores de barriga, dificuldade de concentração, irritabilidade, coração acelerado, respiração curta, garganta seca, pernas moles, voz trêmula, rubor, sensação de desmaio, visão turva e vontade de ir ao banheiro. Esses sintomas podem passar despercebidos pela criança, mas eles são desagradáveis e a levam a ter comportamentos que visam minimizar sua intensidade, como a esquiva, por exemplo (Stallard, 2010).


Em conjunto a essas respostas fisiológicas e comportamentais, se encontram processos cognitivos importantes. Um deles é a preocupação. Pesquisas realizadas com crianças mostraram que as preocupações são comuns na infância e que elas estão relacionadas, principalmente, ao desempenho escolar, saúde, contatos sociais e danos pessoais (Stallard, 2010).


Outro componente cognitivo importante é a forma como a criança observa, percebe ou julga determinado acontecimento. Os modelos cognitivos de ansiedade sugerem que a maneira como as informações são selecionadas, observadas e processadas está sujeita a um determinado grau de distorção. Podemos chamá-las de “armadilhas de pensamento”, como: prestar atenção somente aos acontecimentos negativos, ter expectativas ruins que não estão baseadas na realidade, perceber-se menos capaz do que as outras pessoas, generalizar acontecimentos ruins ou esperar sempre pelo pior. Essas distorções podem iniciar ou auxiliar na manutenção de dificuldades no que diz respeito à saúde mental ou mesmo de transtornos emocionais (Stallard, 2010).


Como é possível perceber a ansiedade é um sentimento bastante complexo e multifatorial. Em frente ao aumento da incidência de sintomas de ansiedade entre crianças é importante que as famílias e educadores (as) procurem alternativas para auxiliar os pequenos e pequenas a lidar com a ansiedade.


Abaixo, estão disponíveis algumas dicas e atividades práticas que podem ser feitas em casa ou na escola, para ajudar as crianças a lidarem com esses sintomas.



RESPIRAÇÃO CONTROLADA


Esse é um método simples, que ajuda a criança a retomar o controle do seu corpo por meio da concentração no controle da sua respiração. Quando a criança estiver apresentando sinais de ansiedade, peça para ela puxar o ar lentamente e segurá-lo. Em seguida, oriente-a a contar até cinco e aos poucos deixar o ar sair. Enquanto a criança faz isso, ela deve ser instruída a pensar consigo mesma "relaxe" , "tenha calma" ou "fica fria". Esse movimento deve ser repetido por no mínimo quatro vezes, ou até a criança se sentir mais calma e mais preparada para conversar sobre o que está sentindo.


Para crianças menores, essa prática pode ser explicada da seguinte forma: peça para que ela assopre bolhas de sabão no ar. Se ela assoprar muito rápido ou com muita força, a bolha vai estourar, então ela precisa fazer esse exercício lentamente. Também pode ser usada a analogia de apagar todas as velinhas de um bolo de aniversário! Para ser bem-sucedida nessa tarefa, a criança deve ser instruída a imaginar um bolo com velas, puxar o ar, segurá-lo, mirar na vela e então soltar o ar lentamente de forma controlada. Esse exercício deve se repetido até que todas as velinhas do bolo estejam apagadas.



MUDANÇA DE PENSAMENTO


Muitas vezes, as crianças identificam e compartilham seus pensamentos com os adultos. É possível notar que nem sempre esses pensamentos são "úteis". Muitas vezes elas são pensamentos "inúteis" , ou seja, são pensamentos tendenciosos e críticos, que servem para aumentar a ansiedade da criança, tais como: "Eu sei que vou fazer errado essa tarefa" ou “as minhas colegas vão rir de mim”.


Pensamentos como esse são desanimadores para a criança. As formas "úteis" de pensamento são mais equilibradas e ajudam a moderar o sentimento de insegurança ou ansiedade. Uma forma mais "útil" de lidar com um trabalho difícil seria: "Esse trabalho é novo, meus amigos também vão encontrar dificuldades. Vou fazer aquilo que consigo e se precisar peço ajuda". Em casa, procure ajudar a criança a praticar o "autodiálogo" positivo, onde seus pensamentos "inúteis" são substituídos por pensamentos "úteis" , sempre que ela se deparar com situações geradoras de ansiedade. Profissionais da educação também podem fazer esse exercício com as crianças no ambiente escolar.

Colocar esses pensamentos em um papel pode ajudar!



GARRAFINHA DA CALMA

Junto com a criança, pegue uma garrafinha transparente e encha com água. Em seguida, coloquem dentro dela purpurina, glitter, estrelinhas, areia, pedrinhas coloridas... Fechem bem a garrafinha e agitem.


Explique para a criança que nossos pensamentos e sentimentos funcionam como o material dentro da água: se nos agitamos e perdemos a calma, nossos sentimentos e pensamentos também se agitam e se desorganizam. À medida que paramos um pouco, respiramos fundo e nos acalmamos, nossos pensamentos e sentimentos voltam a se organizar e nossa mente volta a ficar clarinha, facilitando a nossa compreensão sobre o que sentimos e pensamos.


Essa garrafinha pode ser usada sempre que a criança estiver agitada. Ela pode ser decorada na parte de fora com frases como "acalme-se" , "respire fundo" , ou "tudo vai ficar bem".



CONTINUE O DESENHO

O desenho é uma das formas mais ricas de expressão de ideias e sentimentos das crianças. Pegue uma folha de papel e sente-se junto com a criança. Inicie um desenho e, em voz alta, fale um pouco para ela sobre como você está se sentindo.


Em seguida, peça para a criança continuar o seu desenho e assim como você fez, falar sobre aquilo que ela está sentindo. Aproveite esse momento para criar um diálogo com a criança sobre como todos os seres humanos experienciam diferentes sentimentos e como eles aprendem a lidar com eles de diferentes formas. Pense junto com a criança em alternativas saudáveis para ela lidar com os seus sentimentos.


Essas são pequenas técnicas para auxiliar as crianças em momentos de ansiedade.

Mas, lembre-se, se as dicas não auxiliarem, procure ajuda profissional!


Referências


STALLARD, Paul. Ansiedade: terapia cognitivo-comportamental para crianças e jovens. Porto Alegre. Artmed, 2010.


 
 
 

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